Arqueologia em Zilbra (I)

Captura de Tela 2016-01-28 às 16.32.42Um dos achados mais interessantes nas leituras que fiz neste início de ano foi uma referência feita por Michael Young na introdução que escreveu para o livro Conhecimento e Controle: novas direções para a sociologia da educação, publicado em 1971. A referência é uma pequena nota de rodapé, onde ele atribui a Alan Dawe o uso que é feito no livro do termo “controle”. Traduzo a nota:
O uso do termo ‘controle’ está baseado no artigo de Dawe (1970). Neste sentido não se trata de um conceito, mas uma doutrina ou um conjunto de ideias que dão um significado substancial aos conceitos, e apontam para um foco na ação e interação como a ‘imposição de significado’, e não propriedades de sistemas, como o foco da investigação sociológica. O trabalho de Dawe é, sugiro, um modelo de clareza, precisão e originalidade na apresentação dos principais problemas sociológicos para qualquer sociologia. As sugestões mais específicas para uma sociologia da educação que foram delineadas nessa introdução estão extensivamente baseadas nele. Minhas outras principais dívidas intelectuais são para Wright Mills (1939;1940), cuja contribuição altamente original para a sociologia do conhecimento parece ter sido negligenciada por muito tempo, tanto por seus admiradores quanto por seus críticos.”
A nota de Young me faz lembrar que:
1. O livro Knowledge and Control: New direction for the sociology of education, de 1971, nunca foi traduzido para o português. Nele constam os mais importantes trabalhos sobre currículo, ensino e aprendizagem, de um ponto de vista dos processos de socialização e linguagem. O livro foi um divisor de águas na sociologia da educação, mas teve pouquíssima repercussão no Brasil. Nem mesmo a peça de resistência do livro, o artigo de Bernstein sobre classificação e enquadramento do conhecimento educacional foi traduzido para o português. (Fiz uma tradução para uso didático no ano passado, está no meu Academia.edu).
2. O artigo de Dawe a que Young se refere chama-se “The two sociologies”. É de 1971, publicado no British Journal of Sociology, vol. 21, n. 2 (Jun., 1970) e é tudo de bom, como diz Young. Uma versão ampliada está disponível em português, no livro História da Análise Sociológica (Tom Bottomore e Robert Lisbet, Zahar, 1980). O título dessa nova versão é ‘Teorias da Ação Social”.
A conclusão a que quero chegar é que Zilbra é um país no qual o dever de casa está muito longe de ter sido feito. A sociologia da educação dominante entre nós é um extravio só. Para ficar no mesmo lugar é preciso correr muito. Para dar um passo adiante, será preciso voltar muitos quilômetros para trás.
(A foto é do Wright Mills indo dar aulas em Berkeley, pilotando sua moto. Confesso que ando com muita vontade de apontar o farol da minha para outros lados…)

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Uma revista sobre ensino de filosofia

Captura de Tela 2016-01-08 às 08.30.07 Foi lançada, no ano passado, a “Revista Digital sobre Ensino de Filosofia”, sob a direção das Professoras Elisete M. Tomazetti e Claudia Cisiane Benetti, ambas do Centro de Educação da UFSM. Em 2015 saíram dois números. O link para o segundo número, no qual há uma entrevista comigo, está aqui.

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“Ensino de Filosofia e Currículo” em formato digital

Captura de Tela 2016-01-08 às 08.23.25 O “Ensino de Filosofia e Currículo” agora tem uma versão digital. Ela pode ser encontrada no sítio da Editora da UFSM, aqui.

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Ensino de Filosofia e Currículo, 2015

Captura de Tela 2015-07-27 às 17.33.27 Hoje pela manhã pude finalmente manusear um exemplar da nova edição de “Ensino de Filosofia e Currículo”, lançado pela Editora da UFSM. O livro ficou muito bonito mesmo, e a impressão do miolo em papel pólen 90g – 220 páginas – deu a ele mais corpo. O livro pode ser comprado no sítio da UFSM, aqui. Esta edição conta com um belo prefácio da Professora Gisele Secco, do Departamento de Filosofia da UFRGS e passou por uma nova revisão.

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II Workshop Ensino de Filosofia – UFRGS –

Captura de Tela 2015-07-19 às 10.16.27 Começa amanhã,dia 20 de Julho, o segundo “Workshop Ensino de Filosofia“, da UFRGS, organizado pela Professora Gisele Secco. Fui convidado para fazer a palestra de abertura, sobre o tema do evento deste ano, “Epistemologia e Currículo”. Fiquei simultaneamente honrado e angustiado pois o tema é imenso e o déficit de discussões em torno do mesmo é maior ainda. É de conhecimento geral que as teorizações sobre currículo abandonaram esse tipo de discussão faz mais de trinta anos. E se os teóricos do currículo abandonaram o tema, os políticos responsáveis por decisões curriculares abandonaram os teóricos e decidem como podem. Assim estamos aqui no Brasil, com reforma depois de reforma, tentando achar um rumo, enquanto as crianças não abandonam a escola, e conversando pouco sobre conhecimento e currículo. Não há como deixar de sentir uma angustia, pois há tanta coisa para se conversar que as vezes a gente nem sabe bem por onde começar. Decidi tentar começar por um dos tantos começos possíveis, procurando o fio da meada em um dos lugares onde ele se extraviou. Mas, para meu terror, o assunto se descontrolou e acabei escrevendo umas quarenta páginas, das quais não poderei apresentar mais do dez ou doze; mas como é um workshop, o espírito da coisa será o de apresentar um plano de leituras e trabalhos em torno do tema. Estou bastante entusiasmado com a perspectiva da coisa. Como diz Michael Young, se a gente não começa pelo conhecimento, não começa por aquilo que é específico da escola, e dá no que deu. E esses workshops da UFRGS (é o segundo) vão por aí, o que é muito animador.

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Butler e os limites discursivos do “sexo”

Alguns pibidianos da UFSM mostraram interesse em desenvolver oficinas nas escolas sobre temas de gênero e feminismo. Lendo sobre o tema descobri que o livro mais importante de Judith Butler (de 1993) ainda não foi traduzido para o português. Para ajudar nos debates, terminei por traduzir a segunda seção da introdução do livro, que postei, como pdf no meu academia.edu, no seguinte link:
https://www.academia.edu/12370038/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Judith_Butler_e_os_limites_discursivos_do_sexo_

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Basil Bernstein

Em 1971 foi publicada uma antologia de estudos sobre sociologia da educação com o título de Knowledge and Control: new directions for the sociology of education. O volume foi organizado por Michael Young, que escreveu uma introdução – que leva o título do volume – e o primeiro artigo do livro, que está organizado em três partes. A primeira delas, intitulada “Currículo, Ensino e Aprendizagem como a organização do conhecimento”, tem três artigos; de Michael Young, “Uma abordagem do estudo do Currículo como conhecimento socialmente organizado”, de Basil Bernstein, “Sobre a classificação e o enquadramento do conhecimento educacional e de Geoffrey M. Esland, “Ensino e Aprendizagem com a organização do conhecimento”. Um dos outros autores do livro é Pierre Bourdieu (com dois artigos, “Campo intelectual e Projeto Criativo” e “Sistemas de educação e sistemas de pensamento”).
No prefácio do livro, Michael Young diz que a ideia do volume surgiu de uma discussão entre ele, Bourdieu e Bernstein, depois da Conferência da Associação Britânica de Sociologia, em 1970. O grande animador da antologia foi Basil Bernstein.
Poucos livros foram tão importantes na história das reflexões e práticas pedagógicas no século vinte. O livro, para dizer pouco, é considerado hoje um divisor de épocas, na medida em que é considerado o texto fundador da “Nova Sociologia da Educação” (aquela que vai alimentar, de uma ou de outra forma, as correntes da “pedagogia crítica”). O texto de Bernstein, “Sobre a classificação e o enquadramento do conhecimento educacional” rapidamente transformou-se em uma referência inarredável nos estudos curriculares, sendo um dos textos mais citado na bibliografia sobre estudos curriculares, internacionalmente. Mas, apesar disso, até hoje não havia uma tradução desse trabalho de Bernstein para nossa língua.
Agora há. A partir do convite que recebi da ANPOF-EM para dar um minicurso sobre currículo, e considerando também o trabalho de formação de nossos bolsistas do PIBID, decidi fazer uma tradução desse artigo, bem como de um outro trabalho mais recente de Bernstein. Assim, a partir de hoje, fica disponível uma primeira versão de dois textos de Basil Bernstein, ”Sobre a classificação e o enquadramento do conhecimento educacional” e “Discurso Horizontal e Vertical”. Essas traduções foram feitas apenas com o objetivo de contribuir para o enriquecimento de nossos debates sobre currículo e pedagogia e devem ainda receber melhorias.
Os dois textos estão disponíveis, a partir de hoje, no meu academia.edu.

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