Ensino de Filosofia e Currículo, 2015

Captura de Tela 2015-07-27 às 17.33.27 Hoje pela manhã pude finalmente manusear um exemplar da nova edição de “Ensino de Filosofia e Currículo”, lançado pela Editora da UFSM. O livro ficou muito bonito mesmo, e a impressão do miolo em papel pólen 90g – 220 páginas – deu a ele mais corpo. O livro pode ser comprado no sítio da UFSM, aqui. Esta edição conta com um belo prefácio da Professora Gisele Secco, do Departamento de Filosofia da UFRGS e passou por uma nova revisão.

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II Workshop Ensino de Filosofia – UFRGS –

Captura de Tela 2015-07-19 às 10.16.27 Começa amanhã,dia 20 de Julho, o segundo “Workshop Ensino de Filosofia“, da UFRGS, organizado pela Professora Gisele Secco. Fui convidado para fazer a palestra de abertura, sobre o tema do evento deste ano, “Epistemologia e Currículo”. Fiquei simultaneamente honrado e angustiado pois o tema é imenso e o déficit de discussões em torno do mesmo é maior ainda. É de conhecimento geral que as teorizações sobre currículo abandonaram esse tipo de discussão faz mais de trinta anos. E se os teóricos do currículo abandonaram o tema, os políticos responsáveis por decisões curriculares abandonaram os teóricos e decidem como podem. Assim estamos aqui no Brasil, com reforma depois de reforma, tentando achar um rumo, enquanto as crianças não abandonam a escola, e conversando pouco sobre conhecimento e currículo. Não há como deixar de sentir uma angustia, pois há tanta coisa para se conversar que as vezes a gente nem sabe bem por onde começar. Decidi tentar começar por um dos tantos começos possíveis, procurando o fio da meada em um dos lugares onde ele se extraviou. Mas, para meu terror, o assunto se descontrolou e acabei escrevendo umas quarenta páginas, das quais não poderei apresentar mais do dez ou doze; mas como é um workshop, o espírito da coisa será o de apresentar um plano de leituras e trabalhos em torno do tema. Estou bastante entusiasmado com a perspectiva da coisa. Como diz Michael Young, se a gente não começa pelo conhecimento, não começa por aquilo que é específico da escola, e dá no que deu. E esses workshops da UFRGS (é o segundo) vão por aí, o que é muito animador.

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Butler e os limites discursivos do “sexo”

Alguns pibidianos da UFSM mostraram interesse em desenvolver oficinas nas escolas sobre temas de gênero e feminismo. Lendo sobre o tema descobri que o livro mais importante de Judith Butler (de 1993) ainda não foi traduzido para o português. Para ajudar nos debates, terminei por traduzir a segunda seção da introdução do livro, que postei, como pdf no meu academia.edu, no seguinte link:
https://www.academia.edu/12370038/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Judith_Butler_e_os_limites_discursivos_do_sexo_

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Basil Bernstein

Em 1971 foi publicada uma antologia de estudos sobre sociologia da educação com o título de Knowledge and Control: new directions for the sociology of education. O volume foi organizado por Michael Young, que escreveu uma introdução – que leva o título do volume – e o primeiro artigo do livro, que está organizado em três partes. A primeira delas, intitulada “Currículo, Ensino e Aprendizagem como a organização do conhecimento”, tem três artigos; de Michael Young, “Uma abordagem do estudo do Currículo como conhecimento socialmente organizado”, de Basil Bernstein, “Sobre a classificação e o enquadramento do conhecimento educacional e de Geoffrey M. Esland, “Ensino e Aprendizagem com a organização do conhecimento”. Um dos outros autores do livro é Pierre Bourdieu (com dois artigos, “Campo intelectual e Projeto Criativo” e “Sistemas de educação e sistemas de pensamento”).
No prefácio do livro, Michael Young diz que a ideia do volume surgiu de uma discussão entre ele, Bourdieu e Bernstein, depois da Conferência da Associação Britânica de Sociologia, em 1970. O grande animador da antologia foi Basil Bernstein.
Poucos livros foram tão importantes na história das reflexões e práticas pedagógicas no século vinte. O livro, para dizer pouco, é considerado hoje um divisor de épocas, na medida em que é considerado o texto fundador da “Nova Sociologia da Educação” (aquela que vai alimentar, de uma ou de outra forma, as correntes da “pedagogia crítica”). O texto de Bernstein, “Sobre a classificação e o enquadramento do conhecimento educacional” rapidamente transformou-se em uma referência inarredável nos estudos curriculares, sendo um dos textos mais citado na bibliografia sobre estudos curriculares, internacionalmente. Mas, apesar disso, até hoje não havia uma tradução desse trabalho de Bernstein para nossa língua.
Agora há. A partir do convite que recebi da ANPOF-EM para dar um minicurso sobre currículo, e considerando também o trabalho de formação de nossos bolsistas do PIBID, decidi fazer uma tradução desse artigo, bem como de um outro trabalho mais recente de Bernstein. Assim, a partir de hoje, fica disponível uma primeira versão de dois textos de Basil Bernstein, ”Sobre a classificação e o enquadramento do conhecimento educacional” e “Discurso Horizontal e Vertical”. Essas traduções foram feitas apenas com o objetivo de contribuir para o enriquecimento de nossos debates sobre currículo e pedagogia e devem ainda receber melhorias.
Os dois textos estão disponíveis, a partir de hoje, no meu academia.edu.

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Sobre a gramática da expressão “Filosofia sobre o ensino de filosofia”

Fala-se sobre uma disciplina que poderia ter como título “Filosofia do ensino de filosofia”, nos debates sobre a estrutura acadêmica de um mestrado profissionalizante para professores de filosofia do ensino médio público. O tema é interessante.
Vejamos um paralelo com o nome de outras disciplinas:
Filosofia do ensino de história.
Filosofia do ensino de matemática.
Filosofia do ensino de física.
Filosofia do ensino de artes.
Filosofia do ensino da dança.
Nesses títulos temos a presença de genitivos, “do”, “de”, “da”. A comunidade filosófica está acostumada com esses usos do genitivo, pois falamos com naturalidade em filosofia da arte, da história, da ciência, e assim por diante. E assim podemos falar em filosofia da educação ou do ensino. A comunidade filosófica, da mesma forma, dispõe em seu reservatório de instrumentos conceituais, desde o medievo, da distinção entre genitivo objetivo e subjetivo. Assim, podemos nos perguntar o seguinte: no título “Filosofia do ensino de filosofia”, em qual sentido genitivo estão sendo usados “do” e “de”?
Relembro os dois sentidos.
O genitivo objetivo, “do”, “de”, “da” indica uma reflexão que toma algo como seu objeto. Quando falamos sobre a filosofia da história, estamos nos referindo à reflexão que toma a história como seu objeto. O mesmo vale para uma expressão como “a filosofia de Aristóteles”, a saber, nossas reflexões que tem o pensamento de Aristóteles como seu objeto de referência.
O genitivo subjetivo, de “do”, de”, “da”, indica a reflexão que pertence, por exemplo, a Aristóteles, porque foi ele quem fez; aqui surge um interessante problema, penso eu. O pensamento, a reflexão, a filosofia, são atividades que atribuímos a pessoas.Assim, é apenas por uma necessidade de exploração metafórica que falamos em “filosofia da arte” em sentido subjetivo: a arte não é um sujeito capaz de ter uma filosofia, tampouco a historia, a física, a arte e a dança. E também a filosofia. A filosofia não é uma pessoa. A filosofia não tem uma filosofia, a não ser por licença metafórica. Não obstante, dada a inevitabilidade da metáfora como metodologia exploratória de regiões complexas, falamos em filosofia disso e daquilo, pois estamos convencidos do seguinte lema: a experiência humana comporta, no mais das vezes, uma dimensão reflexiva, ou, o que dá quase no mesmo, uma possibilidade de exploração em nível de segunda ordem. As filosofias de, do, da, portanto, tem completa legitimidade.
Mas o que dizer quando alinhamos dois genitivos, como no caso dessa expressão, “filosofia do ensino de filosofia”? Parece obvio que temos um genitivo objetivo, no caso de “do”. Assim, a expressão pode ser assim reescrita:
Filosofia sobre o ensino de filosofia”.
Resolvida a ambiguidade de “do”, parece inevitável concluir que a ambiguidade do “de” é um caso de genitivo subjetivo; e isso quer dizer que é uma metáfora: algo como o “ensino” tem uma filosofia (no sentido em que dizemos que Aristóteles tem, pois escreveu, uma filosofia).
Assim, a expressão “Filosofia do ensino de filosofia” é uma pequena intriga semântica, que faz uso de dois sentidos da genitividade possível de “do” e “de”. Seu possível sentido resulta da peculiar combinação de um genitivo objetivo com um genitivo subjetivo. Eu disse que a expressão pode ser vista como uma pequena intriga semântica.
Posso estar inteiramente enganado e laborando em grandes equívocos. Mas pensei um par de horas sobre o tema e resolvi repartir por aqui minhas reflexões.
Na verdade acho que essa duplicação de genitividades ambíguas em nada ajuda nossa caminhada. De um lado, foi decidido, em parte pela pressão da comunidade filosófica, que deve haver a presença de “conhecimentos de Filosofia” no ensino médio. Isso está nas leis que usamos para nos mover no tema, hoje. O título “Filosofia do ensino de filosofia”, induz o leitor a pensar que a disciplina, que quer dizer “Filosofia sobre o ensino de filosofia” deve, entre outras coisas, poder questionar se é possível ensinar “conhecimentos de Filosofia”, como está na LDB e nas demais leis brasileiras relacionadas ao tema. Dado que nos movemos, entre outros aspectos, no marco legal que nós mesmos ajudamos a criar, eu me pergunto sobre o sentido de um projeto que inclua, como aspecto relevante do mesmo, o questionamento e a dúvida sobre se devemos fazer o que decidimos fazer. Eu amo as contradições, como Whitman. Eu sou muitos, eu contenho multidões. Mas reservo isso – tento, ao menos – para minha vida privada.

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Sobre o “direito à abstração”: “encore un effort”

foto-3Revisando as políticas públicas para o setor de educação fundamental deparei-me com um parecer aprovado na Câmara de Educação Básica (CNE) em 2011, com as “Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino de 9 anos”. Trata-se do parecer 11/2010, e inclui uma seção dedicada ao tema “Relevância dos conteúdos, integração e abordagens do currículo”. O título, por si só, chama a atenção pelo uso da expressão “relevância dos conteúdos”. Quase no final da seção encontrei a seguinte passagem, que reparto com os leitores do blogue:

“Por sua vez, alguns currículos muito centrados nas culturas dos alunos, ao proporem às camadas populares uma educação escolar calcada sobretudo na espontaneidade e na criatividade, terminam por reservar apenas para as elites uma educação que trabalha com abstrações e estimula a capacidade de raciocínio lógico. Assim sendo, vale repetir que os segmentos populares, ao lutarem pelo direito à escola e à educação, aspiram apossar-se dos conhecimentos que, transcendendo as suas próprias experiências, lhes forneçam instrumentos mais complexos de análise da realidade e permitam atingir níveis mais universais de explicação dos fenômenos. São esses conhecimentos que os mecanismos internos de exclusão na escola têm reservado somente às minorias, mas que é preciso assegurar a toda população”.

Acho que o parecer (assinado por Cesar Callegari), ao defender a extensão do que chamei de “o direito às abstrações” aos “segmentos populares” pode ser considerado como uma excelente provocação e ponto de virada em certo clima de opinião sobre as políticas curriculares recentes. Pretendo me demorar mais sobre esse ponto em breve, na Anpof do Ensino Médio. Mas aproveito para repartir aqui o tema. Volto em breve, espero.

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Encontro PIBID de Humanidades

No ultimo dia 12, sábado pela manhã, foi realizado o primeiro encontro de participantes do Pibid da área de Ciências Humanas da UFSM. Na primeira parte, da 9.00 até as 10.30hs, cada um dos subprojetos do Pibid fez um breve relato do que vem fazendo: Teatro, Ciências Sociais, Filosofia, História e Geografia. Na segunda parte os coordenadores fizeram uma breve avaliação, pensando nos desafios e perspectivas possíveis de trabalho. A participação foi muito boa, como se pode ver nas fotos abaixo. O tom geral do evento foi o de uma primeira socialização do trabalho realizado, com vistas ao trabalho interdisciplinar que se visa nesse ano. Abaixo, alguns momentos do encontro.
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