Como seria uma didática da filosofia? A vastidão e complexidade da filosofia não nos permite pensar que exista uma resposta simples e única para essa pergunta. Didáticas relativamente simples podem ser pensadas para o caso de instrutores de habilitação para o trânsito. Mas há algo relativamente simples que devemos levar em conta quando começamos a pensar os caminhos para a didática da filosofia. Ele exige que lembremos alguns dos traços característicos mais relevantes da filosofia; eles existem, por certo, pois se assim não fosse – se a filosofia não tivesse algumas características essenciais – não poderíamos estar falando sobre seu ensino. E quais seriam elas? Em primeiro lugar cabe lembrar aquela que foi destacada pela primeira vez por Aristóteles, e desde então nunca esquecida: enquanto cada uma das áreas do saber humano se ocupa com algum aspecto particular da realidade, a filosofia visa o todo, a própria realidade como um todo; em segundo lugar cabe lembrar aquela característica que foi objeto do interesse de Sócrates e Platão: a filosofia é uma investigação daquelas idéias e conceitos que usamos quase inocentemente no dia-a-dia; é, assim, uma atividade reflexiva que se ocupa com os conceitos fundamentais do ser humano: piedade, justiça, verdade, beleza, bondade, ser; basta ver os temas dos diálogos de Platão para se dar conta disso. Basta ter em conta essas duas características essenciais da identidade da filosofia para percebermos que sua didática será muito especial, na medida em que precisará levar em conta os seguintes elementos da vida da filosofia: imersão na cotidianidade, presença latente da universalidade, exercício de reflexividade, essencial inacabamento, entre outros.