O Pibid e a equação do Professor Helder Eterno (I)

A Universidade Federal de Goiás teve esse mérito: organizou o primeiro encontro nacional do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência). Para quem não sabe, o PIBID é um programa de bolsas da Capes para estudantes de licenciatura, que devem, em contrapartida, desenvolver ações pedagógicas junto à escolas públicas, em projetos elaborados junto a um coordenador na Universidade e um supervisor nas escolas. O Pibid visa, em primeiro lugar, “incentivar a formação de professores para a educação básica, contribuindo para a elevação da qualidade da escola pública”. Trata-se, sem nenhuma dúvida, de uma iniciativa impar, a única em séculos, que valoriza o magistério e incentiva os estudantes que optam pela carreira docente. O Pibid, pelo que pude ver, vai muito bem. Em todo o Brasil são 26.000 os pibidianos; havia mais de uma centena deles no encontro da UFG e o entusiasmo da rapaziada era contagiante.
Algo se move na formação de professores, era o pensamento geral; e muita coisa continua parada e ruim, no entanto. Esse foi o tom de entrada da palestra do Prof. Helder Eterno, que economizou as palavras quando fez a crítica da escola brasileira: “A escola, a educação no Brasil, é muito ruim”, ele disse logo no início. A frase veio no contexto de uma crítica às formas usuais de formação de professores. Ele queria criticar as universidades que pensam formar bons professores mas fazem pouco caso de uma real inclusão das escolas nesse processo: “Quando a formação fica restrita ao âmbito da universidade, não temos a formação do professor”; foi algo assim que ele disse. Ele complementou essa crítica dizendo que a maioria dos estudantes de licenciatura conhece teorias de aprendizagem mas não conhece a escola.
Eis aí um otimista, pensei. Se ao menos isso fosse verdade! Depois dessas observações sobre a terra devastada da escola ruim e a formação docente alienada da realidade (“o professor não pode se formar apenas na universidade”) ele conclui: “Essa equação não fecha!”
O milhar de pessoas no auditório, o que me inclui, dolorosamente concordou com ele.
Nova página. Precisamos, diz Helder, “construir uma nova cultura escolar”.
Depois desse introito, os numeros do Pibid: hoje, 26.000 bolsas. A proposta atual visa chegar a 45.000, e em breve o programa será de fluxo contínuo.
Palmas, merecidas.
Em breve os pibidianos precisarão de passaporte. Um dos próximos passos é levar a meninada para os EUA, para que ampliem ainda mais seus horizontes.
Mais palmas. E choveram perguntas, que ele tirou de letra. Jean, da Filosofia da UFMT, pede que o Programa autorize a compra de livros, essenciais para essa área. Almir pergunta se o Pibid poderia valer como estágio obrigatório. E assim por diante. As respostas foram seguras, orientadoras. Livros? Por vezes sobra verba de compra de livros nas universidades; há recursos para isso nos Departamentos (e ele tem toda a razão); estágio? São coisas diferentes, nada de confundir as coisas.
A equação do Professor Helder, que, como todos nós, está preocupado com a recuperação da cultura escolar, tinha um ângulo que escapava à minha geometria. Vou tentar explicar isso na próxima postagem.
Na foto, o Prof. Silvio e o Prof. Cláudio, responsáveis pelo GT de Filosofia e Sociologia, que teve conversas bem animadas.

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