Segundo Habermas, o debate filosófico dos tempos modernos na forma de um júri decidiria sobre a seguinte questão: “como é possível adquirir um conhecimento digno de crédito?” Foi esta passagem que me chamou a atenção pela primeira vez para este possível uso derivado da palavra: ter crédito, crediário, creditar na conta; e também ser uma pessoa acreditada. É curioso o fato de um intelectual ao estilo de Habermas aceitar tão singularmente o uso de “um conhecimento…ter crédito”, e não explorar as outras consequências dessa comparação bancária. Quando eu peço crédito, a primeira coisa que me perguntam é acerca de quanto crédito eu preciso; as garantias que eu dou em troca devem ser proporcionais ao crédito que peço. Não há algo como uma garantia absoluta, por exemplo, pois além dela ser dada em proporção ao crédito concedido, os bens que eu dou em garantia ou meu fiador também estão sujeitos à problemas: meu fiador pode morrer ou o terreno que eu dei em garantia ser desvalorizado por uma obra próxima, etc. A concessão de crédito sempre envolve riscos, maiores ou menores, proporcionais ao empréstimo concedido. Por que os filósofos aparentemente tem tanta resistência em levar em conta estes fatos e flertam com tanta facilidade com concepções, digamos, atacadistas, sobre o conhecimento? A caricatura de Platão é do David Levine.
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