Escrevi no outro blogue uma historinha para o dia dos professores, sobre os professores que um dia reuniram-se em assembléia e decidiram que não mais queriam ser chamados de professores. Eles eram os trabalhadores da educação. Alguns alunos que tomaram conhecimento da idéia decidiram que, em apoio,  não mais deveriam existir alunos e sim os clientes dos trabalhadores. Ou, quem sabe, deveriam ser chamados de patrões.
E foi assim que foi terminando a escola brasileira. Os diretores em solidariedade, decidiram que elas deveriam ser empresas que prestam serviços, com franquias e filiais. Um filósofo de plantão garantiu que eles vendiam mercadoria simbólica.
A história tem vendavais e marolas. A marola da história está ficando assim: há malas que a gente despacha e que custam a chegar. 
Faz poucos dias que fui até uma Conferência Nacional de Educação, na Boca do Monte, na qual ilustres representantes dos trabalhadores da educação cuidadosamente expurgaram do texto final, com votações altissoantes e grandiloquentes, a palavra “professor”. Ela foi zelosamente substituída pela expressão “trabalhador da educação”. Depois os tais de trabalhadores, peagadeuses, foram se queixar do governo de Zilbra, das famílias dos alunos, do escambau.

Eles, os trabalhadores da educação, entendem que  fazem parte da solução, não do problema. Mais vinte anos perdidos.

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