Uma premissa importante no trabalho do professor de filosofia é que hoje vivemos em um ambiente didático que incorporou em todas as disciplinas escolares – desde Educação Física até Musica, passando por todas as ciências – o vocabulário do compromisso escolar com a formação de consciência crítica. Uma leitura das Orientações Escolares mostra que todas as áreas de atividades e disciplinas escolares compreendem que cada uma delas, dentro de suas características, é importante na formação crítico-cidadã. Assim, o professor de Filosofia precisa mostrar de que forma específica, dentro desse conjunto, ele colabora com a “consciência crítica”. Em um mundo profundamente impactado pela degradação do ambiente, por exemplo, cada vez mais a área das Ciências da Natureza exerce um profundo papel político-motivacional na juventude, pois ela oferece o conjunto indispensável de informações de base e de argumentos que podem sustentar intervenções sociais dos jovens. A chamada “consciência crítica” não pode ser exercida em um vazio de informações e teorias científicas. O jovem sabe disso e cada vez mais se deixa impressionar por argumentos baseados em informações que possam ser defendidas em níveis profundos. Os esquemas conceituais de motivação política que ainda se valem das polarizações tradicionais, herdeiros das guerras frias e coloniais, cada vez são menos relevantes diante das abordagens de natureza holística predominantes nos movimentos de juventude. O ensino de filosofia precisa estar aberto a essas novas tendências.
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