O estagiário, minutos antes de terminar sua aula, sacou da pasta um punhado de mosquitinhosos e entregou um para cada um de seus alunos. O folheto convidava os meninos e meninas para uma manifestação de contrariedade à governadora do estado. E foi embora. A diretora da escola – uma escola pública de um município do interior gaúcho – ao saber do acontecido foi tirar satisfações do estagiário, aluno de uma universidade federal. O estagiário confirmou ter feito a distribuição do “fora tia”. A diretora mostrou sua total contrariedade com a atitude do estagiário. O estagiário, no entanto, manifestou sua total incompreensão; por que, afinal das contas, ele não podia ou devia distribuir tais panfletos. Ele não conseguiu compreender o ponto de vista da diretora. Ele continuou achando que distribuir panfletos como aquele era uma coisa muito normal, que fazia parte da “consciência política” adequada ao trabalho de um professor do ensino médio.
É essa a pedagogia prática que está na raiz do desastre. Essas coisas somente podem sobreviver no ambiente refrigerado de algumas universidades públicas, nas quais ainda encontramos alguns parques jurássicos de idéias.