Comprei na banca uma revista chamada “Educação”, da Editora Segmento. Fui atraído por uma chamada de capa, que dizia o seguinte: “Currículo: Poder Legislativo tem mais de 50 propostas de novas disciplinas”. Fui ler. O título da matéria, na página 66, é o seguinte: “Avalanche disciplinar: Poder legislativo tem uma enorme pauta de conteúdos obrigatórios a votar. Sua incorporação em redes e escolas, porém, esbarra em questões conceituais e estruturais.” Quem escreve é Marta Avancini, um belo texto. Fiquei sabendo que existem propostas de obrigatoriedade de ensino para as seguintes disciplinas: psicologia, libras, educação ambiental, moral e cívica, educação no trânsito, legislação tributária, planejamento financeiro pessoal e familiar, direitos da mulher, qualidade total e etc. Faz pouco, como se sabe, que passou a filosofia, a sociologia, a música e cultura africana.
A pergunta que tenho feito é a seguinte: que critérios dispomos para ir colocando ou tirando conteúdos da educacão básica? O Brasil jogou no lixo a tradição clássica de estudos curriculares; currículo virou, para adotar o jargão que critico, uma questão de poder. Assim, quem pressiona mais curricula melhor. Só que o tempo escolar, como os demais, é finito. Assim, os senhores deputados vão ter que estudar sobre currículo para poder dizer sim e não. Ou vão ceder aos lobbys? E nós, da Filosofia, agora instalados na obrigatoriedade, vamos faltar em apoio aos educadores ambientais e aos psicólogos e aos cívicos e etc?
“Encore un effort”, como diria o Marquês.